quarta-feira, 3 de agosto de 2016

consumo



comemora-se o dia do pai, da mãe e da criança (agora, das mães, também)

comemora-se o dia da mulher, do país, da independência
(falta o dia da decência)

comemora-se o dia do consumo, da poupança e da riqueza (para quando o da pobreza?)

comemora-se o dia da nascensa, (há sempre um dia,um só dia, para todos os sem licença)

há um dia para tudo, e um dia para nada (quando a morte é nossa fada)

há o dia para os santos
e o dia para todos os prantos

há o dia de todos os dias
(com sol ou chuva a vida continua)

há o dia que não chegará
(onde a morte rondará )

dias preenchidos que não irão mais além
(pois nesse dia no calendário não caberá mais ninguém)

e os dias ficam aquilo que são:
só mais um dia, só mais uma criação
(vamos lá a mais uma comemoração:
agora até o dia do orgasmo)


fica o ano sem dias, não se pode dedicar outro dia

mas um dia hei-de estender o dia até o dia não esmorecer
(será mais que um dia...será dia ao anoitecer)

- arre chissa, que é sempre a mesma 
missa !



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