domingo, 28 de agosto de 2016

na mesa do café

na mesa do café

todas as manhãs são manhãs de acolhimento
na mesa do café há sempre um qualquer momento
em que a vida encontra a essência do existir.

trocam-se conversas, comuns a alguns
e as cadeiras, testemunhas silenciosas,
suportam, estóicamente, o peso dos anos, de cada um
mas há, por vezes, almas solitárias
em que só os seus pensamentos
servem de companhia.

hora de almoço, e na mesa ao lado
senta-se a eternidade
corpo delgado, cabelo pintado com raízes brancas da idade
saia pelissada e blusa de outras eras
sem aneis ou alianças
de oculos de leitura, em massa, sobre o jornal das desgraças
come uma torrada, bebe um galão
e tem brincos pendurados, a condizer com a cor das rouxas flores estampadas
na frescura de tantos verões.
acende um cigarro e eu sinto-me mal por espiar.

deixo-a com as costas direitas,
na frágil fragância, da vida ainda com esperança.

lmc

24/12/2016

Porém, passados estes dias , volto a encontrá-la noutra esplanada  e,
sem quê nem p'ra quê, e sem eu dar por nada, que a vida dela comigo veio ter...

O tempo decorria suave e aprazível, com as horas a despertarem o apetite do almoço.

Absorvido que estava, na leitura de jornais pelo smartphone, ainda vagamente a oiço, numa conversa ao telemóvel, em inglês.

Acabada a conversa dela e uma pausa minha na leitura, os nossos olhos encontraram um diálogo de ternura.

E foi ao responder a uma observação sobre os maus tratos a animais, que o nosso diálogo começou...

Não vou aqui transcrever nada do tudo que fiquei a saber, nem isso seria correcto.

O que poderei dizer é que, em cada ser humano, há todo um mundo acumulado de vivência e saber...
há um querer e um crer; há uma vida que a outras acabou por acrescer;
há raízes com estórias por dentro, recheadas do seu tempo; e esse tempo foi outro, foi um tempo que só nos livros constam, onde já não existe quem os possa narrar.
São pedaços espalhados, e que por vezes acabamos por "ler".

A nossa conversa deambulou por gerações (nossas) pós I Guerra eMundial e locais como África, Madeira, EUA, e Portugal Continental  e por onde andaram, viveram e criaram. .

Ficou, assim, para nós dois viva mais um pouco de memória, que a poeira do tempo teima em tapar...
até alguém perto de nós chegar.







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