domingo, 15 de janeiro de 2017

a dor


Viktor Safonkin _ Mordóvia (Rússia).

hoje o meu despertar foi de dor,
não a minha, mas a que vinha
ao meu encontro, tanta era a saudade no amor.
era tanta essa dor, pressentida no que lia, que não posso imaginar, como se pode suportar tanta dor.

a dor dos outros não a podemos partilhar.
só pela nossa dor a poderemos, um pouco, avaliar.

na nossa dor há mecanismos próprios de defesa que atenuam (ou não) a intensidade e persistência.

é por isso tão difícil calcular o que outros sentem na dor.

a dor dos outros não é a nossa.

a vida também é feita de dor: nasce-se e ela já connosco vem; cresce-se e ela também.

tanta é a dor que o mundo tem:
tanta é a dor no desamor;
na saudade; na maldade; na guerra; na perda, que tem de haver uma compensação,  no equilíbrio dum planeta.

é nisso que acredito.

tanta e tamanha é a dor,
que o mundo tem de ser um grande amor.

a tua dor não é minha
não a posso avaliar
sem amar...
mas a minha
mal a posso sentir.


2 comentários:

  1. Um belo e tocante poema no passeio pela filosofia budista,
    que tudo se interliga e só o amor por todas as criaturas
    na construção de um vibracional mais sútil nesta tão densa
    realidade.
    Um domingo na vibração da paz, meu amigo Luís.
    Um beijo.

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  2. Lindissimo poema! Especialmente os versos finais.

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