quarta-feira, 26 de abril de 2017

paranóia


dão-nos o medo em catadupa
servido às horas de refeição
e das desgraças fazem sermão
como se a vida fosse uma puta.

servem desgraças pela televisão
em pratos frios de condenados
e os directos são tão suados
que até faz pena serem o que são.

tombam os dias e as noites vão
e em cada hora que a morte rola
de pé p'ra mão há logo ali grande filão.

constuimos castelos de aflição
com muros altos até aos céus
e não contentes pomos os véus
para não vermos tal invasão.

e quando à rua pomos o pé
temos na pele o estranho cheiro
de não sabermos o que é que é.

(cobertura noticiosa, em Paris)


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