quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

devaneio

*devaneio*

no meio do caminho, onde a aranha lança o fio, há um lençol de poemas presos ao olhar de quem os lê.

mas, doutros fios, doutra lã, aqui 
(não por mim...) nascem letras (in)tocáveis na pouca firmeza do aparo e caiem sobre a folha 
rabiscos, qual bailado de pássaro
sem palco e sem audiência.

e toda a escrita é um rasto 
de linguagem (im)perceptível.

o que era uma ideia a descer 
dum turvo olhar, não chega a ser horta ou lavra, para semear/germinar um qualquer lugar.

um devaneio ou um simples lastimar, ou ainda, um velho barco encalhado, a sonhar fazer-se ao mar.

e o pálido luar é uma prisão de sombras e escuridão em águas, a afundar.

nem o pensamento que lhe deu origem, nem o vazio da mão,
encontra qualquer sentido, ou razão.

e, o que parecia um poema,  perde-se na aprendizagem da sua própria criação.

LuísM_14.12.2017

....

há letras nascentes 
que se juntam aos pares
onde o olhar desce
sobre a palavra 

das montanhas 
os riachos e cascatas
sonham viagens, longe
no sentido do verbo

e, se ao mar chegar
o mundo mudará
a cada gota.

LM-25.11.2017




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